quarta-feira, 29 de junho de 2011

Acalanto

Acalanto

A música na voz de Adrianna Calcanhotto por vezes me aninhava, é uma verdadeira canção de ninar. Sentia-me num plano esférico por muitas vezes feliz. Hoje toda vontade que eu tenho é escrever para meu acalanto como já fiz em um blog anterior que eu fiz. Uma verdadeira carta de amor.

A primeira declaração de amor da minha vida não foi uma serenata, nem uma casa lotada de rosas, mas veio de um homem como todos assim imaginam. Se por muitas vezes fui infantil em castigá-lo com gotas de indiferença, ele bem sabe que elas são todas falsas, mentirosas como atores e atrizes. Mas se já recebi uma declaração de amor, todos recebemos quase todos os dias, mas cabe a nós memorar aquela que será inesquecível, e quando me lembro da que ganhei eu às vezes me emociono e choro.

Não tinha flores, não tinha música, nem era um jantar a luz de velas. Não tinha anéis nem jóias, nem ursinhos com corações cafonas. Falar a verdade, a declaração de amor que eu vou levar para o resto da minha vida só era sorridente, e tinha a cara de uma promessa careca. Um dos dias mais felizes da minha vida é o dia que meu acalanto raspou os cabelos da cabeça para comemorar só uma de minhas várias e futuras conquistas. Quando me lembro dela eu penso em não desistir de desistir.

Acalanto vinha sorrindo de feliz, a conquista era minha que ele sentia com felicidade. Se teve lágrimas eu nem sei, mas as minhas vieram aos montes. No dia que recebi essa belíssima declaração de amor eu vi que pessoas são mais importantes na vida do que tudo, e é com a união e o apoio de pessoas e declarações de amor (não somente romântico, como foi meu caso) fazem da gente mais humanos.

O provérbio a união faz a força é bem válida para Acalanto, que crer realmente que tudo é bem visto juntos. Se por algumas vezes na vida tive inveja foi dele, por saber de coisas que eu nem sei, por guardar conquistas que eu nem tenho e por saber se levantar quando cair. Se Acalanto sofre ele nem diz, mas se sente algo ruim com certeza seu amor é bem forte para superar tudo.

Acalanto é bem recheado de sonhos humanos, é artista quando quer ser, é médico, pintor, motorista, mecânico, pedreiro quando tem que ser.

Eu só queria me desculpar se algum mal causei na vida do meu Acalanto, se o fiz sofrer. Queria agradecer a tudo que Acalanto me ensinou, a ser quem eu sou até nas minhas particularidades mínimas como o exemplo os gostos pessoais; Acalanto me ensinou a ser flamenguista, a ser a companheira petista. Quando sou forte em momentos é por ele.

No mais Acalanto me ensinou a ser humana, eis que seja a minha escola de vida. Eu nem gosto de vê-lo quando acordo, porque eu só acordo de mau humor e não bate com a disposição com que ele acorda todas as manhãs esperando da vida uma manhã melhor a ser vivida. Acalanto já disse que tinha orgulho de mim, e se alguma vez pensei em desisti de algo que gosto por algo que acho ser conveniente, não fiz por medo de talvez me decepcionar e na minha decepção decepcioná-lo.

Meu amor por Acalanto é mudo, eu às vezes me imagino sem ele e me ponho a chorar, e ele talvez nem saiba que quando a gente briga, eu choro também, quando ele fala alto eu choro escondido ou as vezes seguro a respiração contra a janela do carro. Tudo que busco na vida é procurando agradecê-lo, se minhas escolhas forem as erradas vão ter que virar certas a força para que eu possa retribuir todas as manhãs que pegou na minha mão e me mandou para a escola, por tardes decepcionantes com notas baixas no boletim. Eu estava falando ontem com amigos como me acho a imagem e semelhança dele, como temos gostos parecidos, e disse: “eu sou quase a copia dele”.

Às vezes quando andamos juntos a pé eu tenho vontade de segurar sua mão, mas me sinto grandinha demais para isso, mesmo que o pensamento seja de uma criança que precisa de proteção.

Se não o digo que o amo todos os dias é porque talvez nem seja o ser tão forte quanto eu penso que sou. Mas Acalanto sabe que não há nada de interesse nessa relação, tudo que quero para o meu futuro é poder confortá-lo como ele soube fazer a mim no passado. Aí de mim viver sem meu Acalanto, ao qual chamo carinhosamente de Fanfico.

Não queria um dia ter que ir embora sem dizer que eu te amo, companheiro, amigo, pai!

A cerveja e o assassinato do feminino

por Berenice Bento¹

Há muitas formas de se assassinar uma mulher: revólveres, facas, espancamentos, cárcere privado, torturas contínuas. Mesmo com um ativismo feminista que tem pautado a violência contra as mulheres como uma das piores mazelas nacionais, a estrutura hierarquizada das relações entre os gêneros resiste, revelando-nos que há múltiplas fontes que alimentam o ódio ao feminino. Como não ficar estarrecida com a reiterada violência contra as mulheres nos comerciais de cerveja? Com raras exceções, a estrutura dos comerciais não muda: a mulher quase desnuda, a cerveja gelada e o homem ávido de sede. As campanhas são direcionadas para o homem, aquele que pode comprar. Alguns exemplos: uma mulher faz uma pequena dissertação sobre a cerveja para uma audiência masculina, incrédula de sua inteligência. Logo o mal-entendido se desfaz: claro, uma mulher não poderia saber tantas coisas se tivesse como mentor um homem; a mulher é engarrafada, transformada em cerveja; um mestre obsceno infantiliza e comete assédio moral contra uma discípula; ela é a BOA. Quem? O quê? A mulher ou a cerveja? Todos os comerciais são de cervejas diferentes e estão sendo exibidas simultaneamente. Nesses comerciais não há metáforas. A mulher não é "como se fosse a cerveja": é a cerveja. Está ali para ser consumida silenciosamente, passivamente, sem esboçar reação, pelo homem. Tão dispensável que pode, inclusive, ser substituída por uma boneca sirigaita de plástico, para o júbilo de jovens rapazes que estão ansiosos pela aventura do verão. Se já criminalizamos alguns discursos porque são violentos, não é possível continuarmos passivamente consumindo discursos misóginos a cada dia, como se o mundo da televisão não estivesse ligado ao mundo real, como se as violências ali transmitidas tivessem fim no click do controle remoto. Embora a matéria-prima para elaboração desses comerciais esteja nas próprias relações sociais, nas performances ali apresentadas há uma potencialização da violência. Não há uma disjunção radical entre violência simbólica e física. Há processos de retroalimentação. A força da lei já determinou que os insultos racistas conferem ao emissor a qualidade de racista. Também caminhamos para a criminalização da homofobia em suas múltiplas manifestações, inclusive dos insultos. Por que, então, devemos continuar repetidas vezes ao longo do dia a escutar "piadas" misóginas, alimentando a crença na superioridade masculina sem uma punição aos agressores? Sabemos da força da palavra para produzir o que nomeia, sabemos que uma piada homofóbica, racista, está amarrada a um conjunto de permissões sociais e culturais que autoriza o piadista a transformar o outro em motivo de seu riso. Agora, é incalculável o estrago que imagens reiteradas de mulheres quase desnudas, que não falam uma frase inteligente, que estão ali para servir a sede masculina, invisibilizadas em duas tragadas, provocam na luta pelo fim da violência contra as mulheres. Da mesma forma que o "piadista" racista e/ou homofóbico acha que tudo não passa de "brincadeira", o marqueteiro misógino supõe que sua "obra-prima" apenas retrata uma verdade aceita por todos, inclusive por mulheres: elas existem para servir aos homens. E como é uma verdade aceita por todos, por que não brincar com ela? Ou seja, nessa lógica, ele não estaria fazendo nada mais do que reafirmar algo posto. Será? Não é possível que defendam aquela sucessão de imagens violentas como "brincadeiras". Essa ingenuidade não cabe a alguém que sabe a força da imagem para criar desejos. O que pensam os formuladores dos comerciais? Que tipo de mulheres habita seus imaginários? Por que há essa obsessão pelos corpos femininos? Será que eles ainda pensam que as mulheres não consomem cerveja? Não se trata de negar a mulher-consumível, coisificada, pela mulher consumidora, mas de apontar os limites de uma estrutura de comercial que peca inclusive em termos mercadológicos. Tal qual o assassino que matou sua esposa acreditando que sua masculinidade está ligada necessariamente à subordinação feminina, a cada gole de mulher, o homem sente-se, como em um ritual, mais homem. Conforme ele a engole, ela desaparece de cena para surgir a imagem de um homem satisfeito, feliz; afinal, matou sua sede. É um massacre simbólico ao feminino. É uma violência que alimenta e se alimenta da violência presente no cotidiano contra as mulheres.

--- Berenice Bento é doutora em sociologia, pesquisadora associada do Departamento de Sociologia da UnB e autora do livro "A Reinvenção do Corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual". Atualmente no Departamento de Ciências Sociais da UFRN ---

Publicado na Folha de S.Paulo, 03/01/07.


Elizabeth no topo do mundo: Lady Di (Princesa Diana de Gales)

Entre os importantes papeis da princesa que revolucionou uma concepção de mundo, a menos importante considero ter sido esposa de Príncipe Charles, o primeiro na sucessão do trono inglês, mas foi após o seu casamento que Lady Di se tornou uma das mulheres mais famosas do mundo: foi considerada uma ícone da moda e dos ideais de beleza e elegância femininos e elevada a terceira mulher mais importante da monarquia britânica, ficando atrás somente da rainha Elizabeth II e da rainha mãe. Casamento inicialmente feliz, como pregam várias mídias, terminou em 1996 em meio a escândalos tanto por parte de Diana como de Charles. As tensões do casamento real acabaram com o sonho do casamento do conto de fadas, aparentando um imenso romance apenas em público e a união ficou conhecida internacionalmente na mídia como Guerra de Galeses. Mesmo depois da separação a princesa de Gales continuou sendo reconhecida como membro da Família Real Britânica por ser mãe do então 2º e 3º sucessores do trono inglês.
Diana tinha tamanho interesse em ajudar pessoas jovens o que estabeleceu o Diana Memorial Award, prêmio conferido a jovens que têm demonstrado devoção e compromisso com as causas advogadas pela Princesa. Admirada também por seus trabalhos de caridade os principais foram campanhas internacionais contra a AIDS e as minas terrestres, em 1987 a Princesa foi fotografada como sendo a primeira grande celebridade a tocar numa pessoa com o vírus HIV. Sua contribuição para mudar a opinião pública em relação aos aidéticos foi levantada em 2001 pelo presidente americano Bill Clinton, quando este disse:
Em 1987, quando muitos acreditavam que a AIDS poderia ser contraída através do toque, a Princesa Diana sentou-se numa cama onde deitava um aidético e segurou sua mão. Ela mostrou ao mundo que as pessoas com AIDS não mereciam o isolamento, mas sim compaixão. Isso ajudou a mudar a opinião do mundo, ajudou as pessoas com AIDS, e também ajudou a salvar as pessoas em risco
Em janeiro de 1997 Diana trabalhou como voluntária VIP no Comitê Internacional da Cruz Vermelha onde visitou sobreviventes das explosões de minas terrestres na Angola, e tinha interesse em evitar os prejuizos que as minas causavam as pessoas.
Seu falecimento em um acidente de carro em Paris/França trouxe um luto profundo ao reino Unido bem como ao resto do mundo, e seu funeral foi um dos eventos mais assistidos da história da televisão. Anos após nos despedimos de Diana seu nome foi cunhado pelo então ex-primeiro-ministro Britânico, Tony Blair como a princesa do povo, e servindo de inspiração em livros, jornais e revistas.
Embora fosse filha de nobres, Diana viveu e trabalhou como uma mulher normal que procurava independência e realização pessoal. Entrou para a brigada da "fita de veludo encarnada", uma associação para mulheres da alta sociedade que procuravam seguir padrões e valores bastante liberais, sendo vulgarmente conhecidas como "Sloane Rangers".

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Prefeita Mais Picareta da Cidade


Galera que está acampada na Câmara dos Vereadores da Cidade de Natal:

"A Prefeita Mais Picareta da Cidade

Minha Natal, essa é a última oração, pra salvar a população

O problema não é tão simples pensa, tem político roubando até merenda

Por favor Natal, isso não é brincadeira, a Prefeita Borboleta, isso é imoral

A PM vem ai pra acabar com a oração e acabar com a ocupação

O problema não é tão simples quanto pensa não podemos ir lutar contra a imprensa

Por Favor Natal isso não é brincadeira, a prefeita é picareta, isso é imoral"

*Paródia de A Banda Mais Bonita da Cidade

quinta-feira, 16 de junho de 2011

América do Norte vai sambar again


Guido Mantega não poderia mesmo correr o risco de perder a "piada" ao anunciar pela primeira vez que o risco soberano do Brasil é menor que o dos Estados Unidos. No anuncio feito em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto. Segundo o Ministro a Presidente Dilma Rousseff ficou muito satisfeita com o Risco Brasil ser menor que o dos Estados Unidos, avaliando a política econômica brasileira como correta o que solidifica o Brasil e impõe respeito diante do resto do mundo, colocando que “Estamos muito felizes com isso porque mostra a solidez da economia brasileira e a confiança que nós temos dos mercados”.
“Risco soberano não é aquele risco Brasil que vocês estão acostumados a ver; é o risco do CDS. O CDS, que é o Credit Default Swap, é um seguro que se faz, que os países oferecem para a exposição a títulos (…). Quem tem medo que possa haver um default, que possa haver um não cumprimento, não pagamento, faz um seguro”, explicou o Ministro da Fazenda. Sendo então o Credit Default Swap do Brasil (instrumento de proteção contra o risco de um devedor não cumprir suas obrigações) negociado abaixo do norte-americano. O seguro sobre a dívida brasileira tem um custo de 40.2 pontos-base e o norte-americano de 49.7 pontos base.

Fonte: http://blog.planalto.gov.br

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Professor Vitullo participa do #ForaMicarla


Marxista de carteirinha, o Prof. Dr. Gabriel Eduardo Vitullo (do departamento de Ciências Sociais do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) também fez sua participação no movimento popular de ocupação da câmara dos vereadores da cidade de Natal/RN pelo movimento #ForaMicarla.

Quem é Vitullo: Clique aqui

Voadora Leninista


Em "Estado e Revolução" Lênin dialoga com os anarquistas afirmando que estes não compreenderam bem as fases reais da transformação social, e que ao advogarem a abolição pura e simples de Estado e de seu aparato militar e burocrático não teriam entendido as lições da Comuna de Paris em que se fazia necessário a manutenção das funções administrativas de um Estado.