Matéria publicada no jornal Tribuna do Norte (08/05/2010, p. 2)
"Não é novidade e igualmente não é estranho que conservadores e reacionários se manifestem todas as vezes que transformações sociais e políticas, jamais pensadas por eles, alterem leis, instituições e convenções sociais e morais que acreditavam imutáveis. Atualmente, na sociedade brasileira, torna-se possível verificar a reação conservadora a propósito de importantes modificações em âmbitos diversos, mas talvez nenhuma outra mudança incomode tanto quanto a materializada pelo avanço dos direitos gays e por políticas públicas voltadas a lésbicas, gays e travestis e transexuais implementados pelas diversas esferas do poder público no país.
A irritação conservadora leva a que os cães de guarda da moral rabugenta (fonte de opressões, discriminações e violências praticadas contra muitos) ataquem governantes, parlamentares, militantes, cientistas e intelectuais por suas decisões, iniciativas e posicionamentos críticos em defesa de grandes parcelas da sociedade que permanecem descriminadas e excluídas: entre outros, negros, homossexuais, travestis, transexuais, indígenas e mulheres.
No tocante especificamente à questão gay, temos uma verdadeira cruzada moral dos conservadores contra diversas iniciativas do governo federal, em propagandas de ministérios, secretarias, contra iniciativas de governos estaduais, deputados e senadores que, entre outros programas e projetos de lei, criaram o Brasil Sem Homofobia, medidas administrativas que reconhecem os direitos gays ou propõem, em projetos de legislação, o estatuto de casamento para as uniões homossexuais ou a tipificação do crime de homofobia. Visando instalar o pânico moral, os conservadores, em seu fundamentalismo, pretendendo subordinar o Estado, o Direito e a Lei a crenças religiosas e convicções morais particulares, atacam essas iniciativas, qualificando-as de "escândalo", "decadência", "tentaivas de institucionalização de aberrações sexuais", "legitimação de condultas indecentes", entre outras pérolas do disrcurso ideológico-conservador, que, de tão atrasado, faz rir. Ora, se há que se falar em decadência, que esta seja entendida como a reação conservadora as transformações que colocarão o Brasil ao lado das nações civilizadas do mundo que já instituíram os direitos gays: Espanha, França, Alemanha, Suécia, Holanda, entre outros. A sociedade brasileira não pode, por decadência de seus conservadores rabugentos, ficar ao lado de nações como Malauí, Uganda e Irã que praticam atrocidades contra homossexuais, delas como prisão e pena de morte, por pretendida defesa da moral, da decência e de valores religiosos. E por qual razão há que se admitir valores religiosos (sempre particulares, são diversas as crenças religiosas, e, na sociedade, há os que nenhuma religião professam!) para definições da lei, do direito e para conceitos e práticas da sexualidade? Porque cargas d'água terá o indivíduo (qualquer ele) quer ver seus direitos (em todos os âmbitos) subtraídos em razão da crença religiosa alheia?
Por fim, desesperados, reconhecendo que não haverá retrocesso, os conservadores alardeiam sua histeria, proclamando que gays, lésbicas e travestis, com apoio de governos, políticos e intelectuais, instituirão cenas "aberrantes" de carinhos gays em público e ainda levarão à prisão todos aqueles que ousarem hostilizá-los por isso. Que querem os conservadores: o direito de insultar, agredir, discriminar, violentar (como sempre fizeram até aqui!) gays, lésbicas, travestis e transexuais, impedindo-os de exercerem livremente seus desejos e afetos, publicamente, como podem fazer aqueles a quem certa moral dominante chama de heterossexuais e entrega a estes todos os direitos? Não! Fiquem certos, senhores conservadores, daqui por diante, não será mais assim: leis e novas mentalidades, no Brasil e em diversas partes do mundo, impedirão a discriminação homofóbica e assegurarão liberdades e direitos devidos aos homossexuais, travestis e transsexuais!
(Alípio de Sousa Filho - Professor Doutor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN; Doutorado pela Universidade de Sorbonne)
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Culpa de quem?
Enquanto estudava 'Os Anormais', texto aula de Michel Foucault, passava na televisão mais uma daquelas reportagens mais do que já mastigadas sobre pedofilia. 'Os Anormais (M.F.)' trás a tematização as análises de casos, que a psiquiatria toma como patológico. O comportamento doentio que também apareceu na tv. Palavras como: monstro e doente pude perceber nos dois casos (Reportagem e Texto-aula). Mas um caso em especial me chamou atenção. Aliás, foram dois casos que muito se assemelham tanto na reportagem quanto no texto.
Trata-se de meninas que mantêm relações sexuais com homens mais velhos. Essas meninas, crianças, tem pleno consentimento do que fazem, já que em ambos depoimentos colocam abertamente os atos de maneira descriminada. Fora isso existe mais um ponto em comum: o financeiro!
Nos dois casos, as meninas chegam a procurar o 'aliciador' em troca de dinheiro. No texto de Foucault a 'vítima' ganha o suficiente para comprar apenas amêndoas torradas, no caso que era reportado pela tv, as 'vítimas' arrecadaram ao máximo 40 reais. Em ambos, são meninas pobres. Consideradas facilmente alvo de aliciadores.
Mas já que as vítimas, nos dois casos descriminam tanto o abuso pelo qual passaram, seria um caso onde a culpa (sentimento que sempre se procura) é mesmo de um criminoso ou doente mental?
Sei que esse texto pode chocar a moral de muita gente, mais o fato deve ser dito. E todo esse caos sexual possui bem suas raízes.
Tudo começa quando a Igreja instaura o pudorismo sobre as relações sexuais. Fato que ao entrar em nossa casa, hieraquisa a família. Nem sempre pais e filhos dormiram em quartos separados. O estabelecer dessa separação deixa claro a separação entre a sexualidade adulta e a infantil. Daí nasce a 'criança', não como ser físico, mas como concepção institucionalizada, nasce o termo criança, a funcionalidade social de ser criança.
A partir disso, dessa separação da sexualidade, temos os ensinamentos ao mesmo tempo que temos os segredos. Temos a Igreja, e sua atuação escolar, que ensina a moralidade contanto a fantástica história de Adão e Eva expulsos do paríso por causa de uma maçã! Quem não acredita muito em fábulas sabe bem que não era culpa da maçã, pois logo depois de expulsos o casal do paraíso teve dois filhos.
Culpar, culpar, culpa. Na hora que se pega um pedofilo só existe um sentimento: culpa. Culpa que o leva ao crime, mas crime que foi institucinalizado assim pela nossa sociedade, pelo puratanismo religioso. Separar sexualidade infantil da adulta criou as crianças e criou assim seu sentimento de "pureza". Não estou aqui defendendo os pedofilios como sendo seres normais. Normais eles são, mas perante essa lei protetora das crianças, não.
Além de criminalizar a pedofilia, deveriamos rever um pouco nossas concepções 'morais'. Onde está a educação sexual que nossas crianças deveriam receber, sem que fosse preciso culpar uma maçã e uma serpente? A banalização do sexo pelas idéias puritanas revela que nossos pequenos seres humanos muitas vezes nem sabem o que estão fazendo. No caso que citei acima, as 'vítimas' se ausentam de serem 'forçadas' a algo ou qualquer relação. Aí fica bem claro um ponto crucial caracteristico desse caos: a ausência de assistência vigilante.
Os verdadeiros responsáveis pela integridade desses pequenos muitas vezes os libertam, não participam ativamente dos ensinamentos morais efetivos, e escondem e detem qualquer conhecimento da realidade sexual. No caso do texto de Michel Foucault, a 'vítima' também será punida, pois em depoimento a mesma deixou claro que achava tudo natural. A educação que não lhe foi transmitida em casa será dada então em anos de reclusão em reformatórios. No caso reportado no Brasil só deixa claro a deficidência da consciência educacional do nosso país, já que só se prende o pedófilo, e não dá nenhuma medida educativa as 'vítimas' que cederam facilmente ao ato sexual criminalizado por 40, 20 ou 10 reais.
E pior é que nem sempre temos nossas crianças tão protegidas sexualmente, já que a única lição que recebem muitas vezes, é a marginalizada pela mídia que joga o tempo todo apologias sexuais na tv, na música, na dança. A deficiente educação pela qual sofrem nossas crianças, que de fato, nunca serão eternas crianças, e que no futuro o que aprenderam errado tende a se repetir e acontecer o ensinar errado.
Trata-se de meninas que mantêm relações sexuais com homens mais velhos. Essas meninas, crianças, tem pleno consentimento do que fazem, já que em ambos depoimentos colocam abertamente os atos de maneira descriminada. Fora isso existe mais um ponto em comum: o financeiro!
Nos dois casos, as meninas chegam a procurar o 'aliciador' em troca de dinheiro. No texto de Foucault a 'vítima' ganha o suficiente para comprar apenas amêndoas torradas, no caso que era reportado pela tv, as 'vítimas' arrecadaram ao máximo 40 reais. Em ambos, são meninas pobres. Consideradas facilmente alvo de aliciadores.
Mas já que as vítimas, nos dois casos descriminam tanto o abuso pelo qual passaram, seria um caso onde a culpa (sentimento que sempre se procura) é mesmo de um criminoso ou doente mental?
Sei que esse texto pode chocar a moral de muita gente, mais o fato deve ser dito. E todo esse caos sexual possui bem suas raízes.
Tudo começa quando a Igreja instaura o pudorismo sobre as relações sexuais. Fato que ao entrar em nossa casa, hieraquisa a família. Nem sempre pais e filhos dormiram em quartos separados. O estabelecer dessa separação deixa claro a separação entre a sexualidade adulta e a infantil. Daí nasce a 'criança', não como ser físico, mas como concepção institucionalizada, nasce o termo criança, a funcionalidade social de ser criança.
A partir disso, dessa separação da sexualidade, temos os ensinamentos ao mesmo tempo que temos os segredos. Temos a Igreja, e sua atuação escolar, que ensina a moralidade contanto a fantástica história de Adão e Eva expulsos do paríso por causa de uma maçã! Quem não acredita muito em fábulas sabe bem que não era culpa da maçã, pois logo depois de expulsos o casal do paraíso teve dois filhos.
Culpar, culpar, culpa. Na hora que se pega um pedofilo só existe um sentimento: culpa. Culpa que o leva ao crime, mas crime que foi institucinalizado assim pela nossa sociedade, pelo puratanismo religioso. Separar sexualidade infantil da adulta criou as crianças e criou assim seu sentimento de "pureza". Não estou aqui defendendo os pedofilios como sendo seres normais. Normais eles são, mas perante essa lei protetora das crianças, não.
Além de criminalizar a pedofilia, deveriamos rever um pouco nossas concepções 'morais'. Onde está a educação sexual que nossas crianças deveriam receber, sem que fosse preciso culpar uma maçã e uma serpente? A banalização do sexo pelas idéias puritanas revela que nossos pequenos seres humanos muitas vezes nem sabem o que estão fazendo. No caso que citei acima, as 'vítimas' se ausentam de serem 'forçadas' a algo ou qualquer relação. Aí fica bem claro um ponto crucial caracteristico desse caos: a ausência de assistência vigilante.
Os verdadeiros responsáveis pela integridade desses pequenos muitas vezes os libertam, não participam ativamente dos ensinamentos morais efetivos, e escondem e detem qualquer conhecimento da realidade sexual. No caso do texto de Michel Foucault, a 'vítima' também será punida, pois em depoimento a mesma deixou claro que achava tudo natural. A educação que não lhe foi transmitida em casa será dada então em anos de reclusão em reformatórios. No caso reportado no Brasil só deixa claro a deficidência da consciência educacional do nosso país, já que só se prende o pedófilo, e não dá nenhuma medida educativa as 'vítimas' que cederam facilmente ao ato sexual criminalizado por 40, 20 ou 10 reais.
E pior é que nem sempre temos nossas crianças tão protegidas sexualmente, já que a única lição que recebem muitas vezes, é a marginalizada pela mídia que joga o tempo todo apologias sexuais na tv, na música, na dança. A deficiente educação pela qual sofrem nossas crianças, que de fato, nunca serão eternas crianças, e que no futuro o que aprenderam errado tende a se repetir e acontecer o ensinar errado.
sábado, 29 de maio de 2010
Classificado
O mais comum na vida humana talvez seja os movimentos de venda e compra, trocas e etc. Estudando ciência política, temos, o ser humano como indivíduo capitalizado, ou seja, vendido. Vende seu corpo, sua força de trabalho, se vende a um trabalho. Trabalho que formaliza as escalas do capitalismo. São operários de todos os ramos, estudados ou não, numa concepção que se alugam ou se vendem a um cargo capital.
Pensando nisso, vi, uma colega da turma de ciências sociais (bacharelado) [Eu sou da Licenciatura] fazendo um anúncio muito interessante:
"Alugo-me para os dia dos namorados! Visito e me apresento à famílias e tiro fotos pro orkut!"
Da pra ter uma idéia da convenção que se torna essas datas? Dia dos namorados, dia das mães, das crianças sempre tem um plano em comum: "Venda-compra/Capital/Financeiro".
A primeira coisa que se vem a mente é justamente: comprar um presente para aquela pessoa! Mas no caso da colega ela pensou em uma solução crucial: "e quem não tem aquela pessoa?!"
Parodiando e para entrar no clima do momento, se compramos coisas para pessoas e compramos pessoas para coisas... Idéia genial essa que queria colocar, mesmo que não seja minha: "vender pessoas para pessoas." Coisas que as vezes nem nos damos conta, mas que existe nas amizades por interesses, namoros por interesses, que formula as vezes uma inveja mascarada num sentimentalismo frágil!
Pensando nisso, vi, uma colega da turma de ciências sociais (bacharelado) [Eu sou da Licenciatura] fazendo um anúncio muito interessante:
"Alugo-me para os dia dos namorados! Visito e me apresento à famílias e tiro fotos pro orkut!"
Da pra ter uma idéia da convenção que se torna essas datas? Dia dos namorados, dia das mães, das crianças sempre tem um plano em comum: "Venda-compra/Capital/Financeiro".
A primeira coisa que se vem a mente é justamente: comprar um presente para aquela pessoa! Mas no caso da colega ela pensou em uma solução crucial: "e quem não tem aquela pessoa?!"
Parodiando e para entrar no clima do momento, se compramos coisas para pessoas e compramos pessoas para coisas... Idéia genial essa que queria colocar, mesmo que não seja minha: "vender pessoas para pessoas." Coisas que as vezes nem nos damos conta, mas que existe nas amizades por interesses, namoros por interesses, que formula as vezes uma inveja mascarada num sentimentalismo frágil!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Analysis of Cynicism
Lately falsehood goes very close to me, and it comes together with a sense of superiority frustated cynical and false. But what about people who act so close to me? The only thing I can do is mourn.
Regrettable, because it thinks the smart of the month is something the public that you do want to present your show says: "I feel sorry for this poor soul cynical!"
Use a falsehood to promote before de others, but all you talk about your audience is "poor ignorant! Poor snake! Poor cynical and ridiculous!"
Regrettable, because it thinks the smart of the month is something the public that you do want to present your show says: "I feel sorry for this poor soul cynical!"
Use a falsehood to promote before de others, but all you talk about your audience is "poor ignorant! Poor snake! Poor cynical and ridiculous!"
terça-feira, 25 de maio de 2010
Nem tudo que o diabo cria é ruim...
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Recomeçar
Não importa onde você parou,em que momento da vida você cansou,o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar"Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo,é renovar as esperanças na vida e o mais importante,acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?foi aprendizado.Chorou muito?foi limpeza da alma.Ficou com raiva das pessoas?foi para perdoá-las um dia.Sentiu-se só por diversas vezes?é por que fechaste a porta até para os anjos.Acreditou que tudo estava perdido?era o início da tua melhora.Pois é...agora é hora de reiniciar,de pensar na luz,de encontrar prazer nas coisas simples de novo.Que tal um novo emprego?Uma nova profissão?Um corte de cabelo arrojado,diferente?
Um novo curso,ou aquele velho desejo de aprender a pintar,desenhar,dominar o computador ou qualquer outra coisa.Olha quanto desafio,quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.
"Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura."
(Carlos Drummond de Andrade)
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